Como contar uma anedota sem estragar o remate
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Sete regras práticas para quem sabe muitas anedotas e nunca consegue contá-las bem. O problema quase nunca é a piada.
Há pessoas que contam sempre a mesma anedota e fazem sempre rir, e há pessoas que contam a mesma anedota e ninguém percebe onde estava a graça. A diferença raramente está no material.
Contar bem uma anedota é uma competência prática e treinável. Estas são as regras que mais depressa fazem diferença.
1. Saber o remate antes de começar
Parece óbvio e é o erro mais frequente. Quem começa a contar sem ter a última frase decidida acaba a improvisá-la, e o remate improvisado quase nunca é o melhor.
Decida a frase final — as palavras exatas, pela ordem exata — antes de abrir a boca. Todo o resto pode ser improvisado.
2. Cortar tudo o que não serve o final
Se o remate não depende de a personagem ser de Braga, não diga que era de Braga. Cada detalhe a mais é uma pista falsa que dispersa a atenção e enfraquece o momento em que ela é necessária.
3. Não anunciar que vai ser boa
Começar com «esta é hilariante» é comprometer-se com um resultado antes de o ter produzido. Quem ouve passa imediatamente de espectador a avaliador, e a fasquia sobe sem que nada tenha sido dito ainda.
Comece simplesmente a contar. A anedota apresenta-se sozinha.
4. Fazer a pausa
Um segundo de silêncio antes do remate é provavelmente a técnica com melhor relação entre esforço e resultado em todo o humor falado. A pausa dá tempo para que a interpretação errada assente, e é isso que torna a correção final eficaz.
É desconfortável na primeira vez. Faça-a na mesma.
5. Não rir antes
Rir da própria piada antes do fim retira-lhe todo o efeito de surpresa e transfere para quem ouve a obrigação de acompanhar. As anedotas mais eficazes são contadas com toda a seriedade — e no caso das anedotas secas, a seriedade é literalmente a piada toda.
6. Parar no fim
Depois do remate, não explique, não repita e não acrescente «percebeste?». Se não resultou, não é a explicação que vai salvar. Encolha os ombros e conte outra.
Explicar uma piada que falhou transforma um momento neutro num momento constrangedor. Não vale a pena.
7. Ler a sala
A mesma anedota pode funcionar perfeitamente entre amigos e correr muito mal num jantar de trabalho. Não é censura — é a mesma competência que faz escolher o assunto de conversa consoante a companhia.
Quem sabe muitas anedotas tem sempre alternativa. Use-a.
Nada disto exige talento especial. Exige decidir o final antes de começar, cortar o que sobra e ter a paciência de fazer a pausa. O resto vem com a prática.